Breve enredo do Philodendron spiritus-sancti

Uma das plantas brasileiras mais procuradas mundo afora

by Bruno Amaral (CEO Gimme Jungle)

Ter uma planta envolve muita coisa. Não se quer perdê-la sob hipótese alguma, ainda mais quando já se tem um histórico de algumas que partiram para outro plano por conta da falta de cuidados ou, até mesmo, cuidados excessivos. E quando se pesquisa sobre determinada planta, busca-se não somente essas informações sobre seus cuidados específicos e exigências, mas é igualmente interessante saber sobre a maior parte da história relacionada à planta. As interações que qualquer espécie pode gerar entre as pessoas que as possuem, ou que já tiveram algum tipo de trabalho relacionado àquela planta, são infinitas. E as reflexões também vêm à tona, juntamente com a vontade de adquirir mais e mais informação para passar adiante.

O que temos aqui é uma planta já muito comentada nos bastidores e fora deles. Trata-se de uma espécie bastante requisitada, nacional, endêmica do estado do Espírito Santo. É um tipo raro de hemiepífita tropical, podendo germinar no dossel das árvores e lançar suas raízes em encontro ao solo, ou germinar no solo, junto a uma árvore, escalando seu tronco até certa altura, podendo permanecer conectada ao solo ou perder essa conexão ao longo do tempo. Para quem tem em coleção particular, o substrato ideal costuma ser aquele extremamente aerado, composto por cascas secas de arvores, carvão, folhas secas, perlita, casca de pinus e o mínimo de terra.

O nome é uma adaptação de “Spiritus sanctus”, que é latim para o Espírito Santo, no Cristianismo. Foi, por algum tempo, comumente chamado de Philodendron Santa Leopoldina, porém esse nome não se tornou científico, tampouco virou um cultivar registrado. Santa Leopoldina também é uma região localizada no estado do Espírito Santo e, por algum motivo não conhecido, as plantas de lá tendem a ter folhas longas. Hoje em dia diz-se ser do “complexo Santa Leopoldina” o grupo de espécies endêmicas daquela região do estado do Espírito Santo, que carregam características semelhantes. São Philodendrons igualmente belos que, por vezes, se diferenciam uns dos outros em detalhes sutis. 

E por falar em “coisa nossa”, abriremos um parêntesis para destacar que temos uma enorme admiração pelo trabalho e pela pessoa que foi Roberto Burle Marx, brasileiro que deixou imensurável legado artístico, arquitetônico e botânico para as gerações vindouras nacionais e estrangeiras. Dentre seus amigos ele manteve estreito contato com Leland Miyano (aquele mesmo que dá nome a uma variação do Philodendro longilobatum). Leland Miyano aprendeu com Roberto a identificar muito bem um Philodendron spiritus-sancti. Esse conhecimento adquirido lhe deu segurança para afirmar com assertividade se um suposto PSS era ou não verdadeiro. Ele afirmava que se algum Philodendron SS tivesse entrenós longos e crescesse rapidamente, ele era um impostor.

Devido ao desmatamento e extração excessivos em seu habitat, o Philodendron spiritus-sancti está quase extinto. Há quem diga que ele não existe mais na natureza, entretanto, até há alguns anos havia o registro de seis exemplares localizados numa fazenda pertencente à família Kautsky, perto do município de Domingos Martins, na região montanhosa do estado do Espírito Santo. Não se sabe precisamente a localização da propriedade. 

A equipe Gimme Jungle deixa aqui seu incentivo para que os jardins botânicos públicos e os minijardins botânicos particulares cultivem essa linda espécie com o cuidado que requer e que sejam sempre conscientes quanto à busca pela sua propagação sustentável.

Referência: https://www.exoticrainforest.com/

Foto de Bruno Amaral
Bruno Amaral

CEO Gimme Jungle

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