Eu tenho uma obliqua peru? Saiba as diferenças Monstera obliqua peru e adansonii!
Para descobrir as diferenças Monstera obliqua peru e adansonii, qual o gatilho para se iniciar a cultura particular de coleção? Há quem afirme que quando a pessoa se dá conta ela já está fazendo várias pesquisas sobre plantas e desejando tê-las e fazendo comparações de preços de mercado. Geralmente quando o assunto é “colecionar”, a palavra de ordem é “variação”. Quanto mais variada é uma coleção, mais interessante ela será aos olhos de quem vê. E tratando-se de urban jungle, penso que uma selva particular interessante seja aquela que de certa forma fale sobre a personalidade de quem a cultiva, o esforço que ela desprende para conseguir exemplares que julga serem atrativos esteticamente ou desafiadores para se cuidar e as preferências estruturais de cada espécie. Existem aqueles que gostam de investir o tempo na busca pela mesclagem de folhas e tonalidades em suas residências, dando preferência a um arco-íris de folhagens. Como também há aqueles que só se aventuram ao ponto de incrementar com plantas variegatas. Porém, a grande maioria acaba por optar pela diversidade de gêneros botânicos nas suas selvas urbanas, porque, afinal, é isso que transmite aquela ideia de imersão numa selva, onde várias espécies coabitam e dividem as condições climáticas daquele ambiente. E isso começa a ser melhor entendido quando já se consegue identificar as espécies.
Um gênero que possui uma grande variedade de lindas e distintas espécies é o das Monstera. E de alguma forma, meio que “naturalmente”, a pessoa que adquire Monstera e que toma certo gosto por esse gênero e passa a pesquisar um pouco sobre ele na internet (considerando que ela vá passar pela deliciosa, variegata, thai constelation e aurea), mais cedo ou mais tarde acaba sendo apresentado à Monstera obliqua peru. E junto a ela diversas postagens mundiais nas redes sociais, exaltando a planta, que, de fato, possui uma beleza destacada e peculiaridades marcantes.

Recordo a hashtag amplamente utilizada que gerou interação mundial sobre o tema: “it’s never obliqua” (#itsneverobliqua), mencionando as Monstera obliqua peru postadas no Instagram, as quais não correspondem exatamente à dita cuja. O cerne da questão está nisso. Aqueles familiarizados com essa espécie a conhecem bem, sabendo identificá-la e distingui-la das outras Monstera. Assim, se alguém previamente apresentado à Monstera obliqua peru se depara com uma foto de uma planta, gerando dúvida sobre a identificação, onde a legenda afirma ser uma Monstera obliqua peru, a pessoa sente-se meio que obrigada a discursar a respeito, levando o dono da página a examinar mais detalhadamente alguns aspectos e revisar a procedência de sua planta. Isso se deve ao fato de que, embora o acesso a essa planta esteja um pouco menos difícil hoje, em meados de 2021 era extremamente complicado encontrá-la aqui no Brasil. Imagino que essa dificuldade seja compartilhada por muitos ao redor do mundo, que, tendo superado os obstáculos impostos pela quantidade de indivíduos dessa espécie, ao possuir produtores e lojistas, desejam no mínimo que “seja dado a César o que é dele”. Em outras palavras, desejam que autênticas obliqua peru sejam chamadas assim, e não alguma planta que apenas se assemelhe a ela.


E até mesmo em lojas físicas algumas plantas rotulam incorretamente, e prefiro imaginar que isso ocorra por descuido. Existem algumas variedades de obliqua, mas a “peru” que é a discutida aqui, é a mais conhecida e também mais cobiçada e diz-se ser uma planta cujas fenestrações (buracos nas folhas) são tão grandes que ocupam mais espaço que a própria folha (e aqui há controvérsias).
E percebi o desconforto de algumas pessoas nas redes sociais que, ao postarem orgulhosamente, depois de árdua procura, foto de sua recém adquirida Monstera obliqua peru, se depararam com comentários como: “Ahh, eu tenho essa daí!”, “Tenho uma aqui em casa.”, “Nossa! Tenho uma e não sabia que tinha esse nome!”. Claro que aqueles que conseguiram adquirir uma, depois de muito esforço, inclusive financeiro, não ficam satisfeitos em ver a planta, mesmo que virtualmente, sendo colocada numa vala comum, já que não a encontram em hortos e gardens do Brasil. E que muito provavelmente quem tenha feito os comentários sejam possuidores de uma Monstera adansonii. Claro que isso vale para quem se importa em divulgar suas plantas e dar os nomes corretos a elas. E obviamente isso não é motivo para se ofuscar a beleza de uma Monstera adansonii (vide as imagens). O que ocorre é que é muito mais simples de se encontrar uma adansonii. Talvez no seu próprio bairro você a encontre.


E, não por acaso, a Monstera que mais leva a fama de ser a obliqua peru, sem o ser, é a Monstera adansonii. Mas reparem nas fotos as diferenças (na sua maioria nem tão sutis assim). Com um pouco de acuidade é possível concluir que a diferenças Monstera obliqua peru e adansoniis são perceptíveis. Por experiência própria posso dizer que quando jovem a Monstera obliqua peru tem aspecto frágil e sensível, porém, ao passo que vai crescendo e ganhando novas lâminas foliares, começa a ganhar robustez, claro que ainda mantendo o aspecto delicado, mas demonstrando vigor e capacidade de multiplicar as folhagens e de espalhar-se tal qual fosse uma planta arbustiva. E em pouco tempo ela demonstra uma precípua necessidade de ter um tutor para incentivar o seu crescimento vertical e, por consequência, folhas com tamanhos cada vez maiores. Do contrário, a planta lança um flagiliforme, também chamado de running, que é uma “cordinha” que vai se desenvolvendo em busca de algum lugar de apoio para dar início a um crescimento vertical. E essa é uma característica com a qual a adansonii não conta. Inclusive, pode-se cuidadosamente cortar esse flagiliforme para realizar a propagação e aumentar a quantidade de indivíduos.

Contudo, a Monstera adansonii possui características bem atrativas: é fácil de propagar por corte e escala com facilidade os tutores. E quando comparamos as duas percebemos que as semelhanças existem: elas têm folhagens parecidas e com fenestrações que podem não apontar diferenças para um observador menos atento. Porém as fenestrações da obliqua são consideravelmente maiores e em formato mais arredondado, enquanto na adansonii o formato é mais alongado. As folhas da obliqua são um tanto menos espessas que as folhas da adansonii, que, por sua vez, possui um crescimento mais acelerado.

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