Philodendron patriciae

Uma homenagem a uma mulher

by Bruno Amaral (CEO Gimme Jungle)

É desde sempre que esta planta chamada Philodendron patriciae consegue conter minha atenção, por ser um Philodendron grande, de folhas longas, pendentes e texturizadas. É uma planta epífita, nativa de Chocó, na Colômbia. E aqui parto para um texto em primeira pessoa mesmo, algo bem pessoal e entendo plenamente se alguém se sentir representado. Pois bem. Poucas eram as divulgações sobre essa planta, ao menos por aqui, ao menos em português. E, por mais que tenhamos ou não domínio sobre determinada língua estrangeira que se ponha a discursar na internet sobre a planta em questão, sempre se perde alguma coisa quando lemos de forma corrida ou quando traduzimos livremente. Mas ainda assim os poucos registros eram o que se tinha para se satisfazer de informação sobre uma planta que somente poucos possuíam. E ainda o é meio que desta forma, até porque sua descoberta e catalogação são consideradas recentes. A quantidade de indivíduos dessa espécie até aumentou nos lares, mas certamente não é uma planta que se encontra fácil nas varandas e quintais. Isso se dá pela escassez de sua presença em lojas físicas (quase que tendendo a zero) ou virtuais. Dentre tantas outras plantas que vão e vêm, plantas de momento ou não, parar a atenção numa planta específica e se certificar de que ela se mantém povoando o seu pensamento, talvez seja um bom motivo para pensar em adquirir um exemplar.

E como se resolve o problema de se identificar uma planta, criar um vínculo com o que ela lhe apresenta visualmente e subjetivamente e não encontrá-la facilmente por aqui no país, ao menos para saber o valor que se cobra numa beldade dessa? Astuto é aquele que procura incansavelmente e que acaba por encontrar alguma planta dessa espécie disponível para venda ou até mesmo para troca. (E por isso existe o aplicativo Gimme Jungle! Se liga!) E predestinado é aquele que além de procurar e encontrar, ainda recebe alguma outra oferta sobre a planta em questão. Então, consideremos resolvido o antigo problema de não se ter essa folhagem fosca e envolvente para se admirar em casa. Agora a admiração passa a ser in loco. Depois de adquirida seja por compra ou por uma troca justa, os problemas agora serão outros, mas bem mais amenos, voltados somente para a manutenção da planta, que precisa de boa luminosidade, adubação e umidade relativamente constante. Esses são os segredos para que o exemplar tema da matéria tenha atingido esse tamanho, a dizer: folha maior com 75 cm de comprimento. Bem grande para uma planta de cultivo indoor, correto? Porém, na natureza as folhas podem atingir até 1,25 m de comprimento.

Folhagens longas são a preferência de muitas pessoas. E se essas folhas forem pendentes, certamente a planta irá tomar a atenção para si, porque trata-se de duas características bastante procuradas. Não é de se surpreender que o Philodendron patriciae seja paixão declarada de tantos amantes de plantas. 

Geralmente é dito que as folhagens de muitos Philodendron são tão atrativas que acabam ofuscando as inflorescências, que, por sua vez passam a ter menos apelo para quem as observa. Contudo, para mim essa espécie cativou até mesmo no aspecto inflorescência. Ela surgiu depois que a planta atingiu uma idade madura (no meu caso, três anos de cultivo sob meus cuidados), emergindo de uma cor verde meio que apagada. Então a coloração mudou gradativamente para uma tonalidade de rosa claro, até atingir um rosa mais escurecido internamente e branco exteriormente. Mas é de conhecimento que a inflorescência do Philodendron patriciae (e de muitos outros Philodendron) possui uma vida média muito curta (essa da foto abaixo só foi avistada por uma única noite).

Antes mesmo de tê-lo na coleção iniciei uma agradável pesquise para saber sobre a história dessa espécie. Ela começou sendo chamada de “Philodendron splendidum. E por muitos anos foi informalmente chamado dessa forma pelo Dr. Croat e, sob esse binômio, alcançou um status quase lendário entre os raros colecionadores de plantas tropicais como o mais enigmático e desejável dos aroides do mundo. Imagens mais antigas tiradas na natureza por ele em 1983 ainda circulam na internet com esse nome.

Tendo sido informado de que outro especialista regional em aroides pretendia usar o epíteto splendidum para uma espécie de Philodendron brasileiro, o Dr. Croat optou por batizá-lo em homenagem a Patricia, sua esposa. Depois de dar um breve resumo do potencial conflito de nomenclatura e reconhecer o apoio incansável de Patricia durante grande parte de sua vida, ele achou por bem homenageá-la “pelos seus muitos esforços em nome da pesquisa de aroides.” 

E abaixo um bônus! Nas próximas duas fotos, uma espécie com o mesmo potencial que o patriciae: trata-se do Philodendron heterocraspedon, também originário da região de Chocó.  

Referência:

https://www.exoticaesoterica.com/magazine/philodendron-patriciae-croats-splendid-choice

Foto de Bruno Amaral
Bruno Amaral

CEO Gimme Jungle

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