Plantas nacionais – um olhar especial aos Anthuriums brasileiros

Nossas plantas nada devem as de fora

Cada planta de forma isolada é capaz de nos proporcionar alegrias diferentes. O fato de sermos os responsáveis pelo seu desenvolvimento pode nos dar uma grande satisfação e um sentimento de estarmos contribuindo com algo belo: como organismos sésseis (que não se locomovem), as plantas não vão de imediato às substâncias que necessitam, então nós fazemos esse papel de entregar os nutrientes a elas. E o fazemos porque todo o processo é por demais agradável, relaxante, podendo ser até particular, único.

Cada planta recebe de nós o nosso melhor, até mesmo quando o nosso tempo é reduzido, e geralmente é isso que acontece, temos pouco tempo, mas fazemos por onde as plantas receberem a devida atenção. 

E naturalmente existem aquelas que nos prendem mais, seja por conta do apelo de suas necessidades morfológicas que nos obrigam a ter cuidados extras, seja por simplesmente terem ganhado nossa simpatia de maneira mais exclusiva por conta de algum detalhe estético ou até mesmo relacionado à própria espécie da planta. 

Anthurium moonenii

Em paralelo aos cuidados que temos com as plantas e ao apego que é gerado, temos também a necessidade de saber a identificação de cada uma delas. Sabemos que muitas plantas ainda não foram devidamente catalogadas, mas ainda assim circulam com nomes populares e vem sendo difundidas e propagadas nos lares brasileiros. E aqui damos enfoque às plantas nacionais, as que genuinamente contém em seu DNA toda a brasilidade que lhes é possível. Claro que algumas têm, além do Brasil, outro território em comum e isso também é bastante interessante de se saber, como, por exemplo, o Anthurium moonenii (segunda foto), que ocorre na porção nordeste da Guiana Francesa e na porção periférica da parte central do estado do Amazonas.

Poderíamos citar diversos aspectos que nos motivam a ter mais plantas nacionais em nossos lares. Primeiramente porque não precisamos ter exatamente as plantas que são mais difundidas nos Estados Unidos e Europa. Obviamente elas continuam sendo lindas e desejadas, mas temos por aqui também muitas plantas de beleza única e características que, salvas algumas devidas proporções, podem ser comparadas ou até superarem as plantas de lá de fora, com relação à expressividade ou até mesmo facilidade no cultivo. E aqui entendam que, apesar de algumas pessoas privarem pela dificuldade de cuidados que algumas plantas possuem e que lhes dá a alcunha de raras, consideremos também o desgaste físico e psicológico a que não se é submetido quando se tem em mãos uma planta mais fácil de se lidar. Porque certas plantas mais difíceis, quando são negligenciadas por falta de experiência ou de conhecimento, pode gerar um sentimento grande de frustração, seja pela perda da planta, propriamente, ou pelo valor financeiro investido que seguiu para o ralo.

Anthurium peltado brasileiro

Então tomemos como exemplo um Anthurium ainda não catalogado (terceira e segunda fotos), originário das florestas de Mata Atlântica do Rio de Janeiro, e que, por enquanto, vem sendo chamado, ao longo do território nacional, de Anthurium peltado brasileiro. É uma maravilha de planta, porque engloba perfeitamente alguns conceitos adquiridos lá de fora, evidentes em certas plantas e que as tornam mais caras comercialmente. Esse Anthurium assemelha-se ao Anthurium forgetii e ao Anthurium peltigrum por não possuir seio nasal, conferindo-lhe um formato arredondado da folha. É motivo de grande orgulho termos exemplares como esse pertencentes aos nossos biomas. São plantas que possuem grande potencial geral, que lhes permitem figurarem em coleções particulares ou até mesmo em futuros projetos paisagísticos. Por que não?

É histórica a preferência por plantas exóticas nos jardins brasileiros. Porém seria fascinante se ao invés de sermos despertados pelo imaginário da convivência em uma selva europeia, fôssemos mais ainda influenciados pelo convívio numa selva nossa, bem tupiniquim, bem acolhedora e bem mais entendedora das nossas necessidades reais. Algo mais nosso. Ao menos uma convivência das plantas estrangeiras com as plantas nacionais, tendo aquelas pedindo licença para adentrar o território nacional, e não o contrário. A selva nacional não deve ser temida e sim cultivada e cultuada, justamente por ser coisa nossa, legado nosso. 

E uma curiosidade bem intrigante: Nova Friburgo e Petrópolis, cidades do interior do estado do Rio de Janeiro, já foram conhecidas, no século passado, como “cidade dos cravos” e “cidade das hortênsias”, respectivamente. E isso só enaltecia produtos vindos de fora.

A proposta é a presença, mais constante e sustentável, da biodiversidade nativa no contexto urbano brasileiro.

Afinal, o próprio ícone brasileiro Roberto Burle Marx valorizava o cultivo, nesse caso, o paisagístico, de espécies autóctones, nativas, e se entusiasmava em livrar os jardins do aspecto europeu, já que é imensamente vasta a nossa biodiversidade, tendo realizado expedições pelos biomas brasileiros em busca de plantas para seus projetos e resultando na descoberta de diversas espécies.

Temos diversas lindas espécies pertencentes aos nossos biomas, muitas delas ainda não catalogadas, mas já presentes em nossas urban jungles. O processo de catalogação de uma planta abarca várias etapas, que, como um todo compõem um complexo conjunto burocrático que passa por algumas análises e validações e finalmente culmina na entrega e registro do nome pretendido para a planta inédita para a ciência. E tudo isso, além do que, envolve análise da morfologia floral da planta, da estrutura epidérmica (pelos e tricomas), da anatomia, da fitoquímica, dentre outros. Mas esse tempo vale toda a pena de ser esperado, porque enquanto isso seguimos sendo verdadeiros admiradores da nossa flora e analisadores dos aspectos que chamam atenção em uma e outra planta.

Apesar de termos um gosto por plantas, de forma geral, qualquer que seja a origem endêmica delas, possuímos um gosto especial pelas plantas brasileiras e incentivamos o cultivos destas! 

Foto de Bruno Amaral
Bruno Amaral

CEO Gimme Jungle

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